Fissuras
uma série de poemas sobre aberturas
Olá, tudo certinho? Espero que sim.

Janeiro chegou e estou procurando descansar um pouco antes que as coisas voltem a ferver por aqui. Enquanto isso, compartilho um pequeno exercício poético que apresenta uma lírica de subtração, uma espécie de poesia de contenção capaz de falar a partir das brechas e das provocações.
Boa leitura!
Uma Observação Quatro coisas que se evitam: 1- A falta 2- A pressa 3- A palavra aberta 4- O inútil Post-its Nos últimos dias, os poemas não foram belos. Largados, lançados, transpassados, coisas em traças Post-its Jamais abertos, Achados no chão. Ato Abro as pernas Descubro-me suor Vasculho o lençol: Ave na escuridão Vidência Abro a janela: Ouço a cidade, Ofega no asfalto. Na luz que cega Lê-se: verão Crônica Morreu a palavra quando a língua — infeliz, Afiada, rítmica e ferina — Infligiu à vida a ferida. Acabou-se, Pela malícia declarada, Abriu-se o olho d'água. Fechamento Para cerrar fissuras A linha crua Encontra com a agulha A carne já madura


